A MENTALIDADE EVITANTE

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“A insegurança se entoca no meu cérebro como um parasita escavando e escavando incansavelmente. Eu odeio os sentimentos que acompanham esse desconhecido. Eles causam um aperto no peito e entalam na garganta. Tento verbalizá-los, mas as palavras nunca saem direito, elas nunca saem da maneira que acho que deveriam sair. É quase como se estivesse sofrendo de uma mudez seletiva, emitindo palavras que não são exatamente aquelas que gostaria de dizer.

 É tão difícil enxergar o que fazer, o que falar… tudo que sinto é dúvida. Procuro por conselhos, mas ninguém é capaz de entender exatamente o que está se passando aqui dentro – e então vem uma solidão avassaladora. As emoções entram em ebulição. Eu travo. Não consigo pensar ou fazer qualquer coisa direito, e também não consigo extravasar essa energia.

 Será que outras pessoas se sentem da mesma maneira? Será que é assim com mais alguém? Por que não consigo simplesmente mudar o foco? Tenho medo. E se a rejeição é tudo que me espera? E se rirem de mim?

 Não vou conseguir lidar com isso… tudo que queria era acolhimento e aceitação… Será que alguém algum dia irá gostar de mim quando souber quem sou? Será que alguém chegará e dirá que está tudo bem em ser como sou? Não quero assustar ou irritar quem amo… o fato é que não consigo me expressar direito. Não é sua falta, mas minha – e me sinto impotente para resolver isso. Você compreende? Você entende como me sinto? Será que entenderá algum dia?

 Se eu fugir e não abrir essa caixa, isso resolveria o problema. Sim, resolveria. Mas eu quero essa proximidade tanto, tanto… Eu quero amar, mas sinto tanto receio. E não entendo por quê. Não quero machucar ninguém, nem tirar alguém do sério, mas essa confusão está dentro de mim. Talvez seja melhor ficar na minha, em segurança no meu canto, do que arriscar sofrer e ter que lidar com todas essas complexidades…”

UMA FUGA DOS RISCOS EMOCIONAIS

O que você leu acima é uma resenha do se passa por dentro de alguém com uma Mentalidade Evitante. Não é brincadeira.

Pessoas com Mentalidade Evitante são tão preocupadas com seu fracasso ou deficiências que desenvolvem um receio absurdo de críticas ou rejeição. Elas se tornam extremamente sensíveis a qualquer avaliação negativa e são muito cautelosas com relação aos próprios comportamentos.

A Mentalidade Evitante é uma resposta intensa de “luta ou fuga”. Apesar de haver alguma luta, as atitudes em geral envolvem mais fugas que lutas. As emoções são enterradas bem fundo com o intuito de evitar a sensação de vulnerabilidade, a intimidade é largada ao relento como um cadáver boiando inerte na água, e o medo contamina todas as interações.

Tente imaginar alguém com Mentalidade Evitante procurando cultivar um relacionamento… Ou ainda: imagine você tentando estabelecer uma conexão com alguém assim. Tarefa fácil? Não mesmo.

Para sentir as emoções complexas e profundas de um relacionamento, temos que assumir riscos. E estes riscos começam no momento em que você se levanta para ir lá se apresentar e puxar conversa, enfrentando a possibilidade de rejeição, e se estendem para quando você revela as coisas que gosta, arriscando receber o rótulo de infantil, esquisito ou chato.

Assumimos riscos quando saímos em um encontro, seguramos a mão de alguém pela primeira vez, avançamos para um beijo, apresentamos nossos amigos e familiares, tiramos a roupa, fazemos sexo apaixonado, conversamos sobre tópicos difíceis, propomos vínculos exclusivos… enfim, a lista dos riscos é bem grande.

Todavia, sem a disposição para lidar com a tristeza, o arrependimento, o remorso, a depressão, a raiva, a frustração e toda uma ampla gama de emoções negativas, sem o vigor para arriscar sofrer dores e abandono, NADA irá acontecer. Fugindo perpetuamente de seus sentimentos, o Evitante torna-se salvaguarda de um limbo particular feito de ruínas de inseguranças desconhecidas, incapacidade para exteriorizar emoções e um terror permanente de ser rejeitado.

CAUSAS E ORIGENS

Como qualquer nuance do funcionamento mental, as causas da Mentalidade Evitante não estão claramente definidas. É possível que seu desenvolvimento seja influenciado por uma combinação de fatores sociais, genéticos e biológicos.

Alguns traços podem aparecer ainda na infância, na forma de timidez e apreensão excessivas de pessoas e situações novas. Essas características também são emoções de desenvolvimento apropriadas para as crianças e não necessariamente significam que o padrão Evitante irá continuar na idade adulta. Pais emocionalmente abusivos, negligentes ou inexistentes; críticas consistentes e contundentes, e eventos marcantes de rejeição durante a infância, são características bem presentes no passado das pessoas com Mentalidade Evitante.

Quando uma criança não é capaz de satisfazer suas necessidades emocionais simplesmente pedindo por elas, ou quando recebe rejeição ou críticas de modo esmagador, ela aprende que deve confiar única e exclusivamente em si mesma para obter o que quer. Ela entende que não pode confiar em outras pessoas – que apenas irão dizer “não” ou irão hostilizá-la ou machucá-la de alguma forma. A opção é resolver tudo do seu jeito independente, nunca se expondo ou arriscando a possibilidade de sofrimento.

Acontecimentos durante a primeira e segunda décadas de vida podem adicionar ainda mais carvão à essa fornalha de traumas: vivências profundamente relevantes – tais como experiências intensas de desaprovação ou ridicularização por parte dos pais, familiares ou colegas -, podem produzir memórias dolorosas de desacolhimento, deixando marcas indeléveis na mente e tornando algumas pessoas muito sensíveis a comentários e pareceres negativos.

Quando adolescentes, as pessoas com Mentalidade Evitante tendem a apresentar autoestima deficiente, baixa popularidade entre os colegas, mau desempenho em atividades atléticas e pouco envolvimento com hobbies.

E, no final, os Evitantes crescem assim: acreditando que devem confiar apenas em si mesmos para resolver todos os seus assuntos. As agonias e as perturbações ocultas do passado não atrapalham muito seu funcionamento no dia a dia – pelo menos quando vistos da superfície. Mas os efeitos tóxicos da Mentalidade Evitante terminam se estendendo para todas as situações envolvendo intimidade, agressão, abandono e medo. O passado não-resolvido entra em cena a toda hora, e o Evitante pode fazer muito pouco a respeito se não tiver consciência plena de seus sentimentos.

QUAIS AS CARACTERÍSTICAS DA MENTALIDADE EVITANTE?

Basicamente, pessoas com Mentalidade Evitante costumam exibir um comportamento desapegado ou assustado em seus relacionamentos e interações. Quando erguem seus escudos e empunham suas lanças defensivas, costumam falar coisas como:

  • “Sabe, me sinto confortável sem ter relacionamentos muito íntimos”.
  • “É muito importante para mim me sentir independente e autossuficiente”.
  • “Eu fico um pouco incomodada com a intimidade. Eu até quero relacionamentos íntimos, mas é difícil confiar nos outros completamente, ou depender de outra pessoa”.
  • “Às vezes, me preocupo com o fato de que serei magoada se eu me permitir ser íntima de alguém, então escolho manter meu espaço e sou bem feliz assim”.
  • “Amo minha liberdade e prefiro não depender de outras pessoas ou ter outras pessoas dependendo de mim.”.
  • “Estou solteira e você vai ter que ser muito especial para mudar isso”. (Esse é um clássico! ).

Pessoas Evitantes dizem desejar um alto nível de independência, mas isso é apenas uma tentativa de evitar completamente o apego. Elas veem a si mesmas como autossuficientes e invulneráveis a sentimentos associados com estarem intimamente ligadas a outros, muitas vezes negando necessitar de relações íntimas. Algumas podem até mesmo ver as relações íntimas como relativamente sem importância, mas pesquisadores são unânimes em apontar o forte caráter defensivo deste estilo de comportamento. Os Evitantes reprimem e escondem seus sentimentos, lidando com a rejeição distanciando-se repentinamente das fontes de frustração.

Alguns até desejam ter relações emocionalmente íntimas, mas se sentem desconfortáveis com isso e combinam esses sentimentos divergentes com opiniões negativas sobre si mesmas e seus parceiros. Elas geralmente se veem como indignas da receptividade de seus parceiros, merecedoras de alguma forma de punição, e não confiam nas intenções de terceiros.

Muitas vezes, se sentem compelidas a deixar a pessoa a quem amam profundamente, porque algo dentro delas “não parece certo”, embora possam racionalizar tudo e arrumar desculpas estapafúrdias para seu comportamento inexplicável e intempestivo. São as vozes do “medo da rejeição” e da “fuga como estratégia” falando mais alto.

Cada pessoa com Mentalidade Evitante tem sua própria versão dessa mentalidade. Entretanto, é possível elaborar uma lista de características que podem ser encontradas com frequência em boa parte dos casos. Ao deparar-se com um Evitante, procure pelos seguintes sinais:

  • Hipersensibilidade a críticas, desaprovação e qualquer outra avaliação negativa.
  • Preocupação excessiva pelo receio de ser julgado ou rejeitado nas situações sociais.
  • Uma percepção de si como socialmente incompleto, inadequado, sem atrativos suficientes ou inferior aos outros.
  • Hipervigilância e um sentimento persistente de desconfiança com relação ao outro, manifestado na forma de tensão, apreensão, agressividade ou um esquema permanente de autoproteção contra a rejeição.
  • Recusa em estabelecer relações, a menos que esteja certo de ser apreciado.
  • Afirmações categóricas de “nunca” e “sempre”.
  • Excesso de reserva nas relações íntimas por receio de ser exposto à vergonha ou ao ridículo. O isolamento social autoimposto e a retirada completa do contato ao menor sinal de desconforto podem resultar em embotamento, recusa em conversar, negação de contato físico e de demonstrações de carinho e sexo. Mesmo com pessoas do seu convívio mais próximo, existe um empenho ativo e consciente para esquivar-se do contato mais íntimo, da entrega e da vulnerabilidade.
  • Inibição nas situações interpessoais novas devido a uma sensação de não estar à altura.
  • Reticência em correr riscos pessoais ou para envolver-se em atividades novas, por receio de se sentir embaraçado.
  • Restrição do modo de vida devido à necessidade de segurança: pessoas com Mentalidade Evitante têm consciência de que abdicaram de certas experiências na vida para evitar o sofrimento.
  • Mania de fantasiar sobre situações que muitas vezes evitam realidade. Também tendem a fantasiar acerca das exatas situações que evitam, mas que gostariam de vivenciar, e em suas fantasias excluem os estímulos que poderiam provocar ansiedade.
  • Muitas desenvolvem pelo menos uma fobia (por animais ou objetos) cuja origem conecta-se com as primeiras ocorrências de crises de ansiedade em situações sociais.
  • Culpabilização e castastrofização: gostam de se fazer de vítima e tendem a assumir sempre e automaticamente o “pior cenário possível”
  • Conversas circulares: fazem discussões intermináveis que repetem os mesmos padrões.
  • Síndrome do “controle-me”: tendência para entrar em relacionamentos com pessoas controladoras, narcisistas ou antissociais.
  • Chantagem emocional: que pode ocorrer na forma de sintomas depressivos ou acusações falsas.
  • Falta de consistência e sintonia em relação ao que falam e ao que expressam em suas atitudes.
  • Impulsividade: alternância entre agressividade e passividade, mudanças súbitas do estado de humor, surtos de violência física ou raiva descontrolada expressa em palavras.
  • Projeção: atribuição de traços seus aos outros.
  • Pensamento “polícia”: tentativa de questionar, controlar ou influenciar indevidamente o pensamento, os sentimentos e os comportamentos de outra pessoa.

MENTALIDADE EVITANTE E RELACIONAMENTOS

Todos nós mantemos alguns escudos emocionais saudáveis à nossa volta, que nos protegem de situações de risco extremo. Porém, para uma pessoa com Mentalidade Evitante, qualquer ameaça de intimidade representa um risco extremo.

Para manter seus escudos de prontidão, a pessoa Evitante usa de todos os seus recursos: ela pode não se empenhar muito para fazer o relacionamento decolar, ou não tornar o relacionamento uma prioridade, ou se ocupar obstinada e demasiadamente com outras coisas (trabalho, computador, crianças, amigos, esportes, festas…), ou utilizar álcool ou abusar de substâncias ilícitas para escapar da realidade. Vale tudo para manter o lado emocional adormecido, protegido e apenas parcialmente disponível para o outro.

E esse tormento não termina aí: se já estiver em um relacionamento, a pessoa Evitante se manterá blindada em seu refúgio interno, emitindo repreensões e julgamentos severos acerca de seu parceiro. Ela tende a ser facilmente irritável, demonstrar má vontade em assumir compromissos ou ser fiel, erguer suas defesas impedindo a resolução das diferenças, ter um ciúme possessivo ou manter-ser tão absorvida em si mesma a ponto de ignorar completamente os desejos, as necessidades e os sentimentos do outro.

No começo da convivência, existe uma fase de lua de mel onde inúmeras substâncias químicas são liberadas em grande quantidade. Nesta fase, algumas características da personalidade não são muito aparentes. Contudo, com o tempo, as imperfeições serão vistas e os impasses importantes virão à tona.

À medida que as emoções se aprofundam, o Evitante passa a resgatar feridas passadas e qualquer lembrança de dor de seus abandonos anteriores. A insegurança causa raiva e faz direcionar a culpa para a outra parte. O Evitante começa a afastar-se do relacionamento. Ele se sente sufocado, e a outra parte se sentirá abandonada por este afastamento. Cada um experimentará seu próprio conjunto de emoções, e achará que ele/ela ou o outro está sendo sufocado ou abandonado. Muitas vezes, O Evitante sequer nota sua atitude, e a parte que sofre o abandono começa a sentir que sua energia está sendo completamente drenada no esforço de manter os laços vivos.

O relacionamento empaca. Enquanto o outro deseja avançar, o Evitante trava qualquer tentativa de progresso e, em pouco tempo, cria uma situação para estagnar de vez o relacionamento e desligar suas emoções. Torna-se excessivamente crítico, encontra falhas sem fim na outra parte, e perde o interesse sexual.

A confusão se instala, os silêncios se prolongam e as distâncias aumentam. O Evitante se sente confuso: ele acha que quer sair do relacionamento, mas não tem certeza se a responsabilidade é mesmo da outra parte. E se a culpa for dele? Então quem deveria retirar-se? Existem motivos bem justificáveis para sair de um relacionamento: alcoolismo, abuso de drogas, transgressões violentas, infidelidade… mas será que isto está ocorrendo ou as ameaças que brotam na sua mente estão sendo projetadas na forma de inseguranças e expectativas pouco realistas?

Neste momento, a parte mais segura com relação ao vínculo criado pode intensificar seu investimento emocional, dedicando-se mais, aumentando o nível de atenção, mas isso apenas intensifica as inquietações do Evitante. O Evitante acha que terá sua confiança traída a qualquer momento e por isso é necessário manter a guarda sempre alta. Do contrário, irá sofrer terrivelmente nos braços da vergonha, do abandono e do sofrimento, novamente.

Para escapar dessa avalanche de sentimentos, o Evitante pode ir de um relacionamento ao outro, experimentando a fase excitante da paixão como uma forma de aliviar seus sentimentos de solidão, depressão e isolamento. Mas esta é uma solução temporária. Tão logo o relacionamento se torna mais sério, as inseguranças ressurgem, e o Evitante tentará fugir para não ter de enfrentar seus dilemas.

Neste momento, algumas perguntas simples feitas ao Evitante podem esclarecer o cenário:

  • Será que você não está tendo algum problema com sua insegurança e seu medo de dependência?
  • Você não está procurando por culpados para os outros abandonos que sofreu no passado?
  • A negligência que você sente da minha parte é real ou apenas uma sobra de emoções que foram plantadas na sua infância?
  • Eu estou deixando de atender a alguma necessidade emocional sua?
  • Essa raiva toda desaparece quando você se livra do sentimento de necessidade do outro?

Frequentemente, a armadura do Evitante emerge como um modo para evitar repetir o passado, especialmente quando ele foi bem abastecido de desapontamentos ou insucessos. A Mentalidade Evitante receia ser rejeitada, abandonada, traída, ofendida ou ridicularizada, e por isso se omite da oferta de investimentos emocionais. A prioridade – sempre! – é a segurança, jamais a intimidade.

Exatamente por isso, quando inserido em um relacionamento, o Evitante se mantém em silêncio sobre suas dificuldades. Os assuntos que são incomodativos ou provocantes, bem como os dilemas importantes e modificadores de paradigmas, são internalizados e asfixiados ao invés de serem debatidos e resolvidos. Infelizmente, essa é uma estratégia destinada à infelicidade: o fardo da Mentalidade está na sua incapacidade para o amor – tanto para senti-lo quanto para oferecê-lo.

A VERDADE DÓI, MAS É A NEGAÇÃO QUEM MATA

A Mentalidade Evitante poderia ser classificada como uma imensa coletânea de escudos e defesas engendrados em mecanismos complexos para evitar novos traumas. O Evitante deseja desesperadamente alguém que lhe permita crescer, e, simultaneamente, é aterrorizado por esta mesma ideia.

Contudo, seus mecanismos de defesa colidem em cheio com a construção do amor, da intimidade do relacionamento, e também podem se estender aos amigos, colegas de trabalho, familiares e qualquer outra pessoa do seu círculo de convivência.

O Evitante se sente aterrorizado frente à possibilidade de admitir suas verdadeiras emoções – boas ou más -, e teme ser repreendido, abandonado ou receber em retorno emoções negativas.

O ponto central nessa desarmonia está na constatação de que o Evitante não se sente bem consigo mesmo, e coloca um peso enorme na opinião que os outros têm sobre ele. Ao proibir-se essa conexão aberta com seus sentimentos, o Evitante nega sua vulnerabilidade e, consequentemente, nega a entrega necessária para a conexão amorosa.

Muitos Evitantes podem utilizar o sexo casual como uma forma de fugir dessa submissão. É um modo de obter um tipo de intimidade que se estende apenas até um certo ponto – e eles fazem questão de deixar bem claro que aquilo não irá muito além do “casual”. Lamentavelmente, isso não evita o sofrimento. Uma relação significativa jamais ocorre, a lacuna sentimental nunca é resolvida, e a dor volta a permear tudo.

O CAMINHO PARA A CURA

Superar a Mentalidade Evitante é uma tarefa árdua.

Se você está se relacionando com alguém assim, saiba que em mais de 70% dos casos as pessoas simplesmente não mudam seu jeito de ser, não importa o quanto você suplique ou argumente de modo lógico. Neste cenário, você tem duas opções: (1) deixar a pessoa para lá e seguir em frente, ou (2) respirar fundo, reunir forças e demonstrar apoio e amor incondicionais, oferecendo um ambiente propício para que a confiança e a intimidade germinem.

Ademais, considere seriamente ainda a possibilidade de que a pessoa Evitante no relacionamento pode não ser ela, mas VOCÊ, meu amigo.

Em qualquer uma das hipóteses, o primeiro passo consiste em reconhecer que existe um problema – e esta é a parte mais dura. Muitas pessoas com este estilo de apego nunca admitem a si mesmas que elas têm um problema ou sentem que estão prontas para lidar com suas dificuldades. É doloroso e embaraçoso admitir algo assim. Você está tentando escapar do medo que está dentro de você. Não existe um lugar no mundo para se esconder de algo que habita o seu interior.

Para que uma pessoa com Mentalidade Evitante melhore, ela deve trabalhar ativamente para aprender a confiar em seu atual parceiro tanto quanto a opor-se a seus sentimentos mais profundos.

O passo seguinte: criar amor dentro e fora de si. O Evitante teme os relacionamentos devido ao risco de perder o amor que conquistou, mas o amor pode vir de muitas fontes. Ele pode vir de dentro, por exemplo. O amor pode brotar simplesmente por ser gentil consigo mesmo, fazendo as coisas que gosta, dando um tempo para processar seus sentimentos, e recompensando-se vez ou outra com um passeio, uma viagem ou um bom papo com amigos queridos.

Construir o amor externamente consiste em encontrar pessoas que tenham amor e apoio para oferecer. A família é útil, mas as amizades são bem mais importantes nesse sentido. Ter bons amigos que sabe que jamais irão lhe abandonar é algo imprescindível para o Evitante enfrentar suas horas mais difíceis.

A psicoterapia pode ser indicada para abordar pontos mais profundos enraizados na infância. O que ocorreu no passado não necessariamente irá se repetir no futuro – e a pessoa deve aceitar isso.

Ela também deve aprender a perguntar-se: “meus receios e inseguranças baseiam-se em fatos ou no que eu acho que está acontecendo?”. Na maioria das vezes, esse tipo de dúvida necessitará de uma ajuda externa para ser dissipada.

Finalmente, é preciso dialogar a respeito do problema com sua alma gêmea. Talvez não no primeiro encontro, mas quando as coisas começarem a ficar mais sérias. Uma pessoa de Mentalidade Evitante deve ter integridade e expor sua dificuldade em entregar-se e construir intimidades. A comunicação é a ferramenta mais importante para construir um relacionamento extraordinário. Se ninguém falar nada, ninguém saberá de coisa alguma, e sobrarão suposições – a maioria delas, equivocada.

Uma pessoa com Mentalidade Evitante evita a intimidade, ainda que a deseje com todas as forças. Será apenas por meio do reconhecimento consciente e honesto desse dilema que alguém assim poderá se livrar dessas algemas e apreciar as possibilidades maravilhosas de amor que existem no universo. O prêmio certamente compensará o esforço.

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