SOBRE SER UM HOMEM

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1983

A maior parte de nós acredita que a Masculinidade seja algo de compreensão instintiva – e, em parte, ela seria, mas décadas de doutrinação emasculadora turvaram nossos instintos.

Em resposta à neblina, alguns homens se tornaram mais sensíveis a paradigmas que definem a masculinidade às custas de tudo que é (ou parece ser) feminino, e abraçaram comportamentos caricatos com inclinações falocêntricas e traços claramente misóginos.

Outros têm tanto medo de serem rotulados de “machistas” apenas por demonstrar opiniões bem formadas sobre o que define “ser um homem masculino” que extraviaram suas respostas instintivas para competição, trabalho, flerte, papéis sexuais, paternidade e relacionamentos com outros homens, chegando ao cúmulo do ridículo de até mesmo pedirem desculpas por serem homens.

Para escapar dessas armadilhas, devemos lutar conscientemente contra as distorções, percebendo-as como fantasias estereotipadas e artifícios frágeis que fingem ser o artigo genuíno que nunca foram.

É evidente que anatomizar a Masculinidade em alguns poucos pilares apresenta o risco de oferecer uma visão demasiado simplista do que masculinidade é, privando o “modelo” de todas as riquezas e complexidades que ele merece: os conflitos sobre o que significa “ser um Homem de Verdade” não existem apenas dentro de cada homem, mas também entre os homens atuais e entre eles e as gerações que os envolvem. A rivalidade entre valores, convicções, ideologias e medidas que os homens empregam para expressar sua masculinidade é um fato e toda essa confusão não facilita coisa alguma quando tentamos definir padrões distintos de Masculinidade.

Aproveitando o impasse, inúmeras cartilhas culturais deturpadas afirmam que devemos entrar em contato com nosso lado “feminino”. Pessoalmente, vejo isso como uma tolice imensa: homens não têm lados “femininos”. Temos um lado primitivo e um lado civilizado. É o conflito entre estes lados dentro de nós que devemos enfrentar. Por isso, Ser Homem não exige explorar seu “universo feminino”. Ser um Homem exige encontrar um equilíbrio entre o primitivo e o civilizado, entre o indomável e o doméstico, pois sem desafiar os perigos desta moderação nenhum homem é capaz de realizar 100% de seu poder e potencial como Homem. Que as mulheres lidem com as nuances de suas feminilidades e nós, com nossas masculinidades. Não há necessidade de tornar isso ainda mais trabalhoso do que é.

Somos seres imperfeitos. A perfeição não nos cabe. Mas podemos ser excelentes. Podemos ser excelentes como Homens e excelentes em Ser Homens.

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