O PODER DA LINGUAGEM

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No século XXI, os humanos ultrapassaram a marca de 7 bilhões de indivíduos (somos 4 vezes mais numerosos que há 100 anos!), enquanto nossos parentes primatas mais próximos – os chimpanzés – somam menos de 300 mil.

Durante nossa caminhada evolutiva de 350 mil anos, nos espalhamos pelo planeta, colonizando praticamente todos os habitats disponíveis, e, entre as missões Mir (russa), Skylab (norte-americana) e Estação Espacial Internacional, temos mantido uma residência periódica no espaço há mais de 50 anos.

Por onde quer que você meça, somos um tipo extraordinário de animal. Um dos segredos de nosso sucesso – partindo da premissa que nosso avanço tecnológico e científico pode ser considerado algum tipo de sucesso – certamente pode ser resumido em uma única palavra: LINGUAGEM.

Foi por meio da linguagem que estabelecemos o que os biólogos Eors Szathmary e John Maynard Smith chamaram de “hereditariedade ilimitada”.

Atualmente, existem mais de 7 mil idiomas no planeta, distribuídos entre Ásia (33% das línguas faladas), África (30%), Oceania (19%), América (15%) e Europa (3%).

Em termos totais, nos comunicamos principalmente em mandarim (885 milhões de pessoas), inglês (322 milhões), espanhol (266 milhões), português (215 milhões), bengali (189 milhões), hindi (182 milhões), russo (170 milhões), árabe (148 milhões), japonês (125 milhões) e alemão (98 milhões).

Encaramos nossa capacidade para linguagem como algo mundano e absolutamente rotineiro, mas ela está longe disso. A transmissão cultural de conhecimento alterou radicalmente a dinâmica evolucionária do Homo sapiens, e a “hereditariedade ilimitada” elevou a Inteligência humana até níveis sem precedentes na história da Terra.

Se este recurso foi um acréscimo realmente favorável para a sobrevivência de nossa espécie, só o tempo dirá. Até aqui, a Seleção Natural parece afirmar que sim.

E é por essas outras que dizia o Velho Guerreiro:”Quem não se comunica, se trumbica” (José Abelardo Barbosa de Medeiros, 1917-1988).

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REFERÊNCIAS:

Kirby S. Culture and biology in the origins of linguistic structure. Psychon Bull Rev. 2017; 24(1): 118–137.

Eberhard, David M., Gary F. Simons, and Charles D. Fennig. Ethnologue: Languages of the World. SIL International (2019). Acessado em http://www.ethnologue.com.

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