PARA QUÊ SERVEM OS RELACIONAMENTOS?

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Responda com a primeira frase que lhe vier à cabeça: para quê os relacionamentos servem, afinal? Para perpetuação da espécie?

E no caso de relacionamentos sem a intenção de reproduzir? O que há em nós que nos faz gravitar na direção desse evento, insistindo algumas vezes uma vez atrás da outra, as esperanças todas em frangalhos?

Alguns dizem que talvez seja a preguiça ou a incapacidade de sentirmo-nos completos sozinhos que nos faça procurar no outro a tampa da laranja que nos falta. Ou a metade da laranja. Ou quiçá a laranja inteira. Ou um abacate – deixo você escolher a fruta de sua preferência, se quiser.

A despeito de laranjas e abacates, a resposta definitiva para essa questão pode não estar na seção de hortifruti, mas nas aulas de embriologia: não nascemos como uma pessoa completa. Somos concebidos parasiticamente como uma pessoa dentro de outra pessoa. A anfimixia nos funde a partir de dois conjuntos de 23 cromossomos e logo nos tornamos dois corações que passam a bater assincrônicos, porém juntos.

A gestação é isso: uma simbiose de duas almas um só espaço. Ou mais almas, dependendo da animação dos óvulos, dos espermatozoides e dos genes.

O término da gravidez nos divide e pelo resto da vida buscamos um útero que nos complete enfim, mas nenhum útero será como aquele útero original, confortável, protetor, sereno. E a busca que nasce conosco está fadada ao desespero ou à infelicidade, a menos que lhe desvendemos a natureza – e sua natureza é o retorno tranquilo ao par, aos dois seres coabitando um no outro, pagando o roubo de nutrientes com promessas de encontro.

Um relacionamento é a quitanda onde fazemos nosso escambo de expectativas tendo a Paciência como placenta e a Tolerância como cordão umbilical. Enquanto negociamos intenções, o preço e o bônus do amor acumulam-se e nos aguardam na vida que se segue a ele.

Qual seria a MINHA resposta sobre “para quê servem os relacionamentos”? Eu lhe diria que a construção do romance é esse trabalho de parto onde sabemos, de alguma forma instintivamente sabemos, que apaixonar-se de verdade é nascer de novo para si e para o outro.

Simples e leve assim.

 

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