A REALIDADE DOS SONHOS E VICE-VERSA

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Gostaria de convidar você para uma viagem ao mesmo tempo maluca e lúcida – sim, acredite, é possível uma coisa assim. Mas você deve manter a mente aberta, certo?

Se concorda, venha comigo em um passeio. E ele começa pelos seus sonhos:

As pessoas têm 3 a 5 sonhos por noite, alguns têm 7. Em geral, os sonhos se tornam mais longos à medida que o sono vai se tornando mais profundo e, em uma noite de 8h de sono, você totalizará 2h de sonhos. Isso acontece com praticamente todo mundo. Você pode não se recordar o que sonhou, mas isso não significa que não tenha sonhado.

Mas então exatamente o que é um “sonho”? Basicamente, um sonho é um processo que se desenrola em seu cérebro. Em termos estritamente fisiológicos, ele consiste em um conjunto de informações eletroquímicas derivadas da associação sequencial entre seus neurônios enquanto você dorme. E este vai e vem de potenciais de ações nas sinapses resulta em percepções, sensações e emoções que estão em nenhum outro lugar além de dentro da sua cabeça, na sua mente.

Certo até aí? Ótimo.

Agora responda: onde você está agora? Está frio ou quente? Sente fome? Sente tranquilidade ou preocupação? Ansiedade ou calma? Sente seu corpo? Sua pele, sua respiração? “Sente” a realidade à sua volta? E onde isso tudo está ocorrendo?

Está ocorrendo na sua mente.

TUDO ocorre dentro da sua mente. O mundo aí à sua volta SÓ EXISTE a partir da sua mente. Desligue a mente, e esta “realidade” onde você está lendo este texto será desligada junto, pelo menos momentaneamente. É assim que anestésicos como sevoflurano, propofol, midazolam e algumas drogas alucinógenas funcionam.

Grosso modo, a “realidade” que você percebe existe A PARTIR da sua mente – que é o mesmo lugar de onde os sonhos vêm.

Entretanto, quando você sonha, você SABE que está sonhando? Normalmente, não. Normalmente, você acorda e pensa (com alívio ou tristeza): “caramba! Era só um sonho!”. Se você não consegue saber ao certo QUANDO está sonhando, então como saber se tudo isso à sua volta é um sonho ou não?

Mas vamos um pouco mais fundo na toca do coelho… (É um passeio maluco, lembra?)

Suponha que você recebeu como presente a possibilidade de ter os sonhos que quiser. Sim! Você ganhou esse presentaço! Você poderá ter sonhos hiper realistas, cheios de detalhes e sentidos e percepções. E cada sonho terá, digamos, 75 anos de duração. O que você escolheria sonhar primeiro? Sonharia com dinheiro, viagens, carros, status, superpoderes? Qualquer que fosse sua escolha, certamente seria incrível!

Porém, quantos sonhos perfeitos repletos de segurança, riqueza, saúde, amor certo, paixões sem fim e previsibilidade você iria sonhar até se entediar?

Vamos ser honestos: eventualmente, toda essa “perfeição” iria se tornar chata. Milhares de fantasias irretocáveis durando 75 anos cada uma, dia após dia, noite após noite, todas imaculadamente completas e agradáveis em todos os sentidos… e pensar que você poderia escolher QUALQUER coisa para sonhar! Afinal, ESTE foi o seu presente.

Então, um belo dia, depois de incontáveis experiências ideais, você decidiu fazer uma arte com seu “poder”. Confiante na sua capacidade de ter QUALQUER sonho de 75 anos que quisesse, você partiu para algo novo e inusitado: você decidiu colocar em seu sonho o caos e a imprevisibilidade.

“Vamos, sonho! Me surpreenda! Me divirta e me assombre com inesperados!”, você disse antes de dormir. “Faça como quiser e eu vejo como vou fazer. Será nossa aventura!”. E você submergiu em sua quimera. Você DECIDIU por ela. Você ESCOLHEU não saber o que vai acontecer. Esse era o tempero que faltava. E decidiu fazer o seu sonho de 75 anos desse jeito, para experimentar a surpresa do aleatório, assumindo o risco de que poderia haver surpresas boas E RUINS. Foi você quem optou pelo imprevisto da alegria, da felicidade e da satisfação, assim como da dor, da tristeza e do sofrimento. Foi SUA opção enveredar neste sonho sem cálculos prévios.

E agora aqui estamos, bem aqui, com você sonhando com a realidade que criou. E se perdendo nela como se fosse algo completamente à parte de sua mente, como se tudo existisse desconectado de você – quando, na verdade, você é uma parte de tudo e vice-versa.

Tente passar o dia com esta ideia. Observe o mundo com esta ótica. Cedo ou tarde, você irá se perguntar: quando estão todos dormindo, com quem conversar se estamos acordados?

Eu lhe adianto que venho procurando mais alguém acordado há anos, como Diógenes carregando sua lanterna em um dormitório. E qual o sentido de fazer isso? A resposta está em Christopher McCandless: porque “A felicidade se torna mais verdadeira quando compartilhada”.

Curta o dia 😉

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