AS 10 TIRANIAS QUE USAMOS PARA NOS TORTURAR

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O nível de satisfação que extraímos dos nossos dias está diretamente associado à intensidade com que nos tiranizamos. Existem várias tiranias, e elas em geral pendem a partir de infinitos galhos de “por que”, “se”, “como” e “deveria”. As tiranias que usamos para nos auto-torturar são como entulhos bloqueando o caminho e impedindo o nosso progresso.

Quando somos jovens, internalizamos diversas mensagens comportamentais que recebemos do ambiente. Estas mensagens são sedimentadas no inconsciente como regras e dogmas que seguimos cegamente pelo resto da vida, produzindo sofrimento, torturando o senso de bem-estar e frustrando as tentativas de crescimento pleno do adulto em nós. Sem saber, nos transformamos tiranos de nós mesmos. Tornamo-nos a própria causa de estresse e tensão que dilacera nossos corpos.

O tirano trabalha por meio de vozes que falam dentro da sua cabeça. É ele que muitas vezes faz você agir contra seus valores mais nobres e até mesmo contra a percepção da realidade.

Se um comportamento similar viesse de alguém conhecido seu, você rapidamente se afastaria dessa pessoa. Mas não: a voz do tirano é uma velha conhecida sua, ela esteve ali durante a sua infância, lhe protegendo – e continua zelando por você, ainda que muitos daqueles perigos não existam mais. A voz do tirano é familiar demais para enxergarmos nela alguma inconveniência.

Ter consciência de como funciona o tirano dentro de você é fundamental para controlá-lo ou mesmo eliminá-lo. O grande lance não está lutar contra o tirano ou empilhá-lo em um canto da sua mente, mas em simplesmente reconhecer sua origem e como ele prejudica sua apreciação da vida. Quanto mais você for capaz de reconhecer as vozes tiranas, menos poder elas terão sobre você.

A seguir, vamos falar sobre os 10 modos mais comuns que você utiliza para adicionar obstáculos imbecis à estrada da sua vida – e como proceder para reassumir o controle.

  1. A TIRANIA DO URGENTE. As expectativas e tarefas que nos afligem podem parecer urgentes e ameaçadoras, mas elas servem apenas para nos distrair do objetivo central da vida: aprimorar-se e evoluir como pessoa.

A saída para esta tirania: organize sua agenda de forma consciente, classificando seus compromissos segundo definições bem objetivas quanto ao que é urgente e/ou importante. Para tanto, eu recomendo que você utilize os conceitos da Matriz Decisional de Eisenhower.

  1. A TIRANIA DO “DEVERIA”. A cada milésimo de segundo, a família, a cultura e a mídia nos bombardeiam com dogmas, normas e expectativas vendendo ideias de como você deveria se comportar para alcançar seus objetivos.

A Tirania do Deveria se originou de antigas dependências hierárquicas – lembra do “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”?.

Como uma avalanche de padrões neuróticos, o “Deveria” tende a consumir sua identidade em uma busca desenfreada para colocar-se à altura do que os outros esperam que você seja.

A saída: conheça-se e às suas verdadeiras necessidades. Rompa o contrato com a neurose e descubra estratégias eficazes para realizar-se de modo honesto, compatível com seus recursos e com a pessoa que você é.

  1. A TIRANIA DOS LIMITES INTERNOS. Todos traçamos limites para nossa segurança. Até certo ponto, eles foram construídos pela mente para proteger você de riscos desnecessários e você terminou adotando o hábito de obedecê-los sem questionar. Então você cresceu, e os limites internos cresceram com você, e agora eles podam sua personalidade assertiva com ameças de tragédias e frustrações.

A saída? Reconheça que os limites não existem: VOCÊ os criou. E todas aquelas noções que lhe protegiam quando criança, agora tiranizam o adulto que você se transformou. Elabore uma lista de desafios graduais, indo de pequenos riscos até grandes aventuras, e siga este cronograma. Derrube os muros da ansiedade e redefina suas fronteiras.

  1. A TIRANIA DA LEI DE MURPHY. Nossos cérebros foram configurados para imaginar sempre o pior cenário possível em qualquer situação. Este é um padrão de resposta bastante útil para garantir a sobrevivência da espécie no longo prazo, mas pode resultar em uma ruminação infinita do ponto de vista do indivíduo. O medo de tudo que pode dar errado paralisa e o sujeito fica ali mastigando os dramas que nunca aconteceram enquanto o tempo escorre por entre seus dedos.

A saída desta tirania: disponha-se a encarar a realidade na pior versão possível (caso ela venha a acontecer) e então crie uma estratégia de resiliência para aquele cenário. É o famoso “botão de foda-se”.

“Vou fazer a entrevista daquele emprego dos meus sonhos, mas… e se der tudo errado? E se eu começar a tremer convulsivamente, derramar a xícara de café em cima do entrevistar e soltar um peido ruidoso?”. Pense nisso e ria disso. Ria mesmo. Que se foda, brother. Aconteceu? Dane-se. Reprograme-se. Na próxima vez, amarre suas mãos, mantenha distância da xícara e leve uma rolha de champanhe para tapar seus orifícios.

Na frente de uma montanha, um rio nunca pára. De alguma maneira, ele encontra seu caminho e segue em frente para virar um oceano.

  1. A TIRANIA DAS CONSEQUÊNCIAS. A vida tende a nos recompensar de várias maneiras surpreendentes. Ainda assim, em situações específicas temos a tendência de eleger uma única coisa que aceitaríamos como prêmio satisfatório.

Você foi para a entrevista daquele emprego e deu tudo errado. Você deixou o escritório tão frustrado que não prestou atenção na menina que entrou com você no elevador. Ela era interessante, inteligente e divertida, e poderia ser a mulher da sua vida, mas você passou batido porque estava triste por não ter recebido o prêmio que foi buscar – aquela bendita vaga de emprego.

A saída: não se feche para o mundo à sua volta. Reconheça que as expectativas que você criou são ilusões da sua cabeça e a realidade não tem qualquer compromisso com você – este planeta não foi colocado a 150 milhões de quilômetros do Sol unicamente para satisfazer suas carências.

Quando você se sente livre para agir e assumir riscos, pensa nos cenários possíveis e dispõe-se a aceitar as consequências com alegria e gratidão, o milagre e a harmonia invadem sua vida.

  1. A TIRANIA DO PERFECCIONISMO. Acreditar que você deve fazer tudo do modo mais impecável possível pode travar sua índole empreendedora. Pessoas perfeccionistas evitam grandes riscos e não costumam aprender com seus erros.

O perfeccionismo é anti-natural: você conhece alguma espécie de animal ou vegetal que nasceu perfeitamente pronta? A Natureza se adapta continuamente, tudo está em mudança, nada está perfeito ou pronto.

Livre-se da Tirania do Perfeccionismo aceitando o fato de que algumas vezes, a despeito do seu empenho, sua tarefa sairá uma merda mesmo. Aceite isso e faça seu dever de casa. Receba as críticas sem justificar-se com hipocrisias e cresça.

  1. A TIRANIA DA COMPARAÇÃO. Você é daqueles que faz comentários ácidos sobre o salário de um colega que ganha mais que você? Ou se queixa de alguém que recebeu uma promoção ou ganhou uma folga ou tem um carro mais luxuoso ou talvez até um pinto maior que o seu?

Viver comparando-se aos outros é ter um caso com a mediocridade. A comparação não é motivadora: ela amarra seu sucesso na esperança de fatores externos que “um dia irão acontecer” ou que nunca irão.

Não se compare, brother. Seu pau é seu. Assim como a força dos seus braços, os neurônios no seu cérebro e todas as pregas no seu esfíncter anal. É VOCÊ quem decide o que fazer com eles, e para tanto você depende unica e exclusivamente de seu PRÓPRIO potencial. Seja grato por tudo que você tem e deixe de viadice – ficar invejando as conquistas dos outros não é coisa de macho, não, irmão.

  1. A TIRANIA DA PROCASTINAÇÃO. Procastinar é foda. O cara se convence que não tem capacidade para fazer uma certa coisa e então sua mente cria toda espécie de desculpas para ir adiando a tarefa. Inconscientemente, o procastinador diz para si mesmo que não é bom o suficiente, que a tarefa é difícil demais ou que não lhe trará benefícios suficientes. Essa resistência mental drena a energia de seu ímpeto, e todo o prazer de fazer aquilo desaparece.

A estratégia para livrar-se da procastinação: aprenda a reconhecer as vozes internas (e externas) que sabotam seu sucesso e desmonte sua resistência. Crie o hábito de fazer as coisas que você ama, não importa quão pequenas ou sem sentido elas sejam. Simplesmente dedique-se de corpo e alma.

Quando você se encontrar paralisado em análises e desculpas sem fim para não fazer algo, comece fazendo alguma coisa pequena. Faça 10 flexões, coma um tomate, leia uma página do livro, elabore uma lista na sua agenda para amanhã, tome pequenas doses de realização. A energia de agir faz milagres e cria uma faísca de criatividade capaz de turbinar sua força de vontade.

  1. A TIRANIA DA JUSTIÇA. Ah, sim… o mundo deveria ser 100% correto, igualitário e sincero… só que não. A Tirania da Justiça, como boa parte das demais tiranias, tem origem naquelas crenças doces da infância. Sentimo-nos feridos quando o mundo se mostra duro e insensível aos nossos esforços. Parece ser injusto, e muitas vezes é.

Algumas pessoas nasceram com mais recursos, ou receberam mais oportunidades que outras. Elas podem até parecer mais sortudas ou abençoadas. Você olha aquilo e, ao invés de celebrar sua própria vida e as recompensas que ela lhe oferece, você se recolhe naquela almofada de resignação improdutiva, remoendo comiseração em seu umbigo.

Para vencer a Tirania da Justiça, aprenda a tirar o máximo do que quer que esteja à mão. É a tal história: se a vida lhe deu limões, procure alguém a quem a vida deu vodka e façam uma festa. Nesse intervalo, trate todas as pessoas de modo digno e equilibrado, independente de suas heranças ou posses.

  1. A TIRANIA DO AMOR INCONDICIONAL. Você quer ser admirado pelos outros. Quem não quer? Deseja ser incondicionalmente amado pela pessoa que você é. Quando isso não ocorre, ou quando existe a possibilidade disso não ocorrer (por exemplo: você deve tomar uma decisão impopular ou emitir uma opinião contrária à da maioria), você se sente paralisado e não age.

Deixa eu te falar: nem SEUS PAIS lhe devem amor incondicional. Essa balela de amor incondicional só existiu quando você se alimentava de leite materno e fazia suas necessidades em fraldas descartáveis – e olhe lá. Depois dessa fase da sua vida, TODO amor e admiração que você recebe são condicionados, de uma maneira ou de outra.

Para não viver sob a Tirania do Amor Incondicional, você deve atentar para um fato simples: a única fonte de amor incondicional que estará sempre ao seu dispor será o seu amor por você mesmo. E não digo isso de um modo egoísta ou egocêntrico. Falo de Amor Próprio.

Descubra a pessoa dentro de você. Medite, reflita, leia bons livros, aventure-se, converse com seus amigos, seus pais, sua família. Não paute sua vida pelas expectativas deles, mas essas opiniões podem lhe ajudar a construir uma auto-imagem mais lúcida e verdadeira. Seu trabalho é elaborar uma imagem da qual VOCÊ mesmo possa se orgulhar. Torne sua vida seu maior monumento e ame-a por isso. Este será o amor incondicional mais verdadeiro e duradouro que você terá.

 

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