HOMENS, CORAGEM E MEDOS

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Frequentemente, a “coragem” dos homens no século XXI é nada além de uma falsa sinalização de virtude. Eles acham que é possível “não ter medo”. Não é. O que é possível é enfiar o medo em um buraco no chão, tampá-lo com terra e fingir que ele se foi – quando, na verdade, você acabou de plantar uma semente de onde nascerá uma árvore de terrores crescentes.

Neste sentido, a coragem psicológica parece ser mais rara que a coragem física: muitos homens são corajosos o suficiente para entrar em uma briga, escalar uma montanha sem cordas de segurança ou ir para um front de guerra, mas poucos têm coragem psicológica suficiente para se atrever a enfrentar a ansiedade, a raiva, o orgulho, a cobiça, a rejeição, a saudade, a vergonha, a culpa, o desespero e a vulnerabilidade intrínseca em cada um de nós.

O medo da morte, da dor, da fraqueza, do insucesso, da impotência, da servidão, do não reconhecimento, e o medo da perda da reputação, da autonomia, dos meios de subsistência e da liberdade, todos estes e muitos outros medos nos acompanham ao longo de toda a vida.

Negar que estes medos existem é tornar-se um mau medroso. Curiosamente, o tratamento para isso se parece muito com a própria doença: para resolver seus medos, você precisa aceitá-los, conhecê-los, visitar suas casas até ser capaz de chamar cada cupim oculto nas paredes pelo apelido.

Coragem alguma parece ser maior e mais legítima que esta.

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