O QUE JOHN WAYNE TEM PARA LHE ENSINAR?

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1997

Em 26 maio de 1907, no número 224 da rua South Second, em Winterset, Iowa, Mary “Molly” Alberta Brown entregou a Clyde Leonard Morrison o primogênito do casal: um bebê enorme de 5,8 Kg ao qual deram o nome de Marion Mitchell Morrison. O menino cresceu odiando esse nome e, por muitos anos, preferiu ser chamado pelo apelido de escola: Duke.

Aos 9 anos de idade, Duke e sua família mudaram para a Califórnia, onde seu pai arrumou um trabalho como farmacêutico na cidade de Glendale. O tempo passa, o pequeno bebê gigante cresce, torna-se jogador de futebol americano na escola e chega a fazer parte do time campeão da liga de 1924. Terminado o ensino médio, Duke tenta entrar para a Academia Naval e não é aceito, mas, graças ao seu tamanho (1,93 m) e talento no campo, ganha uma bolsa de estudos na Universidade do Sul da Califórnia.

Certo dia, praticando surfe de peito, Duke sofre uma queda e fratura a clavícula. Incapaz de participar do time de futebol por tempo demais, tem a bolsa suspensa e é obrigado a deixar a universidade. Desanimado, pede uma força ao seu antigo treinador, Howard Jones. Por meio de seus contatos, Jones consegue para Duke um papel de extra e faz-tudo junto ao diretor de cinema John Ford.

Mais de 5 anos se passam entre pontas e papéis secundários até Duke ser visto pelo diretor Raoul Walsh. Walsh gosta do jeitão meio Wyatt Earp do rapaz e acha uma boa ideia colocá-lo em um filme que iria rodar em breve.

Como o nome Duke Morrison não é muito atraente, Walsh resolve batizar sua nova estrela de Anthony Wayne em homenagem ao general de guerra revolucionáro Mad Anthony Wayne. Porém, em uma reunião com Winfield Sheehan, o chefão dos estúdios Fox diz a Walsh que Anthony era “italiano” demais. Walsh sugere trocar para John. Sheehan gosta e o nome é aprovado: John Wayne. Duke não estava nem mesmo presente no encontro, mas ficou satisfeito com o aumento de seu salário para 105 dólares por semana.

Walsh escalou John Wayne como protagonista do ousado The Big Trail (1930), por aqui chamado de A Grande Jornada. Ao custo de 2 milhões de dólares (uma soma exorbitante para a época), Big Trail estava destinado a ser um dos mais estrondosos sucessos do cinema na era do som. Infelizmente, apesar da crítica favorável, a película foi um enorme fracasso de bilheteria, levando Wayne a ser novamente relegado a participações  cada vez mais irrelevantes. Em 1931, no filme The Deceiver, ele fez uma recatada ponta interpretando um cadáver.

Seriam necessários mais 8 anos até que John Wayne conseguisse outro papel decente como o de Big Trail. E ele veio pelas mãos do diretor John Ford, com o filme Stagecoach (No Tempo das Diligências). Um espetacular sucesso mundial, indicado ao Oscar em 7 categorias e vencedor de duas, Stagecoach finalmente tornaria Wayne um astro internacional de Hollywood.

Como ator, diretor ou produtor, John Wayne construiu uma impressionante filmografia com mais de 150 trabalhos até ser vencido por um câncer de estômago aos 72 anos.

Assistir a um de seus filmes significa fazer um curso sobre masculinidade. É observar, em ação, os valores que deveriam estar na vanguarda da vida de todo homem – valores que estão em grande parte se extinguindo em uma sociedade que observa, com assustadora condescendência, as virtudes masculinas serem rotuladas de preconceitos.

Como um norte definindo o que é certo ou errado, o que é bom ou mau, e quais batalhas são consideradas honradas ou indignas, Wayne oferecia aos jovens a figura do herói (ou anti-herói) que eles necessitavam.

Observe os filmes, a televisão, a arte e a música à sua volta: que imagem masculina você identifica como capaz de inspirar força, honra, coragem, sabedoria e disciplina? A mídia – quer você goste ou não – formata nossa cultura, nossa juventude e até mesmo nossa política. E bússolas robustas estão se tornando mais raras a cada dia.

Nunca haverá outro John Wayne, mas cada homem deve fomentar em si mesmo um traço de masculinidade semelhante ao dele, e expressar este traço de modo magnânimo junto aos seus amigos, seus companheiros de trabalho, seus pares e sua família.

Para reavivar sua memória, iremos explorar os arquétipos de Wayne em alguns de seus filmes mais famosos:

  1. Bravura Indômita (1969)
  2. El Dorado (1967)
  3. Rio Vermelho (1948)
  4. O Homem que atou o Facínora (1962)
  5. Onde Começa o Inferno (1959)
  6. Álamo (1960)
  7. O Último Pistoleiro (1976)

Prepare sua pipoca e o caderno de notas. Vamos à primeira sessão-estudo de hoje:

O QUE JOHN WAYNE TEM PARA LHE ENSINAR, PARTE 1: 

Homens precisam de valores masculinos.

 

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