UM HOMEM DEVE PROCURAR RISCOS?

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Os gregos antigos tinham uma palavra para Masculinidade: andreia. Para os romanos, era virtus. Em ambas as culturas, estes termos também eram utilizados para se referir a Coragem. Ao longo da história humana, várias outras civilizações também criaram um paralelo íntimo entre Masculinidade e Coragem, praticamente tratando-as como sinônimos.

Existe uma lição nisso: para que a coragem exista, é preciso haver risco. Consequentemente, para desenvolver sua masculinidade, você deve flertar com o perigo. Este “flerte” pode ser observado nas sociedades que utilizam rituais elaborados para marcar a passagem de meninos para a idade adulta.

A Masculinidade sempre foi considerada uma característica a ser ganha – uma conquista. E, assim como pode ser conquistada, ela pode ser perdida. Um conceito de masculinidade que não envolva o risco de perda não é masculinidade alguma.

Nossos ancestrais possuíam infinitas oportunidades para exercitar sua masculinidade. O perigo estava à volta o tempo todo na forma de tribos inimigas, animais selvagens ou catástrofes naturais para as quais eles não dispunham tecnologia suficiente para contornar. Eles não precisavam ir atrás de problemas: os problemas iam atrás deles.

Por outro lado, nosso mundo moderno é repleto de segurança e conforto. Se um homem do Século XXI desejar experimentar riscos reais, ele deverá buscá-los propositadamente, seja por meio do serviço militar ou engajando-se em esportes radicais, por exemplo.

Ainda que você deva encontrar uma maneira de cortejar o perigo, isso não significa fazê-lo de mudo imprudente, estúpido ou excessivo. Parte do problema da cultura atual está no fato dela oferecer tão poucos riscos positivos – especialmente para os mais novos. Consequentemente, temos hoje um monte um sem número de jovens adultos do sexo masculino fazendo coisas imbecis que não resultam em qualquer progresso para o Homem que eles deveriam se tornar.

Ao invés de filmar seu amigo enfiando fogos de artifício acesos no seu rabo e postar essa desgraça no Youtube, que tal iniciar um negócio próprio, ou entrar para a marinha mercante, ou saltar de paraquedas, ou surfar uma onda de 12 pés, ou participar de um campeonato de MMA, ou finalmente chamar aquela gata para sair no velho estilo olho-no-olho?

David D. Gilmore, professor de Antropologia da Universidade Estadual de Nova Iorque, observa em seu livro Manhood in the Making que, na maioria das culturas, assumir riscos é um comportamento encorajado para os jovens como uma forma de ganharem “pegada” antes de enfrentarem os desafios da idade adulta.

Uma vez que o homem se estabelece com esposa e filhos, assumir riscos excessivos passa a ser visto como imaturidade – afinal de contas, a essa altura, o trabalho de um Homem deveria ser manter o que tem e ganhar mais para segurança da sua família. Ainda assim, mesmo nessa etapa da vida, participar de atividades que envolvam algum risco é essencial para manter a chama da Coragem acesa dentro de você.

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