SOBRE NOSSA PRETENSA IMPORTÂNCIA

0
124

Calcula-se que nosso planeta tenha se formado há cerca de 4,5 bilhões de anos, e as primeiras formas de vida surgiram por aqui há 3,7 bilhões de anos. Posso lhe garantir que essas primeiras formas de vida não eram mamíferos, nem mesmo seres pluricelulares: os primeiros microrganismos eucariotas – bactérias rudimentares – surgiriam apenas 2 bilhões de anos após isso.

Até aqui, identificamos cerca de 2 milhões de espécies de vida na Terra. Somos apenas uma delas. E mesmo essa imensidão representa menos de 10% das formas de vida que existem e menos de 1% daquelas que já habitaram este planeta. Tenha um pouco de humildade e adquira um pouco de sabedoria ao encarar este fato.

Se toda essa longa trajetória do planeta pudesse ser resumida em um relógio de 24 horas, veríamos que a vida surgiu nessas redondezas nas primeiras 5 horas o dia, enquanto que a história do Homo sapiens neste mundo estaria resumida dentro dos últimos 4 segundos do período.

Em outros termos: se nosso relógio hipotético apresentasse o show da existência do planeta em uma apresentação com 24 horas de duração, a espécie humana estaria ausente durante as primeiras 23 horas, 59 minutos e 56 segundos do espetáculo.

Todos os nossos avanços, toda nossa tecnologia, toda nossa ciência e todas as civilizações que engendramos – incluindo aquelas da época da Praga de Atenas, da Peste Negra e da Gripe Espanhola – estão contidos nestes míseros 4 segundos.

O mundo, lamento lhe informar, não mudou tanto neste curto intervalo de tempo. Ainda estamos sujeitos às mesmas forças geológicas, às mesmas pressões do clima, às mesmas vicissitudes da existência. Os martelos que nos massacram podem até ter mudado um pouco, mas a bigorna da Natureza continua a mesma. E nós somos os novatos neste palco, não os comandantes dele.

Vez ou outra, um evento catastrófico como um terremoto de magnitude 9,5 MW ou algo tão pequeno quanto um microrganismo de 60 nanômetros surge para nos lembrar disso – de como somos incríveis, mas, ao mesmo tempo, insignificantes e absolutamente vulneráveis na vastidão desse Cosmos.

Deixe uma resposta