UMA BREVE HISTÓRIA DO RAIAR DO CRISTIANISMO (PARTE 4): A RENASCENÇA CAROLÍNGIA

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Flávio Maurício Tibério Augusto (539-602) reinou como Imperador Bizantino de 582 até sua morte em 602. Sob seu reinado, Constantinopla começou a sofrer com as investidas de um novo conquistador: o Islã.

Oito anos após a nomeação de Tibério II, Gregório I, o Grande (590-604), se tornou Papa.

Nascido de uma rica família romana que tinha relações estreitas com a Igreja, Gregório queria levar uma vida tranquila de contemplação, mas terminou sendo forçado a entrar no cenário político da Igreja. Assumindo o papado aos 50 anos de idade, ele decidiu concentrar-se na cristianização da Europa. Contudo, o envio de missionários para os quatro cantos do continente se revelou uma faca de dois gumes:

os reis da França e da Inglaterra consideravam os bispados como feudos a serem distribuídos entre seus apoiadores. O baixo clero passou a ser nomeado pelo critério de favoritismos, e os “favoritos” sequer frequentavam as abadias, preocupando-se apenas em receber a renda que elas geravam.

Bastante conhecido pela sua administração das obras de caridade dedicadas aos pobres de Roma, foi Gregório I quem padronizou a forma de canto utilizada nos rituais sagrados, uma forma que terminaria sendo conhecida como Canto Gregoriano em sua homenagem.

Para os padrões caóticos da Roma de então, Gregório I se mostrou um administrador tão competente que costuma ser citado como o fundador do papado medieval. Ainda assim, durante seu pontificado, a simonia (venda de sacramentos) e o nicolaísmo (casamento ou concubinato dos padres) se espalharam. E a multiplicação de pastores sem qualquer preparo favoreceu o surgimento de heresias em toda parte.

Por volta do final do século VIII, enquanto o Império do Oriente lidava com as ameaças do Islã, os territórios governados pelo Papa (os Estados Pontificais) conseguiram finalmente trazer alguma paz no Império do Ocidente — ponto para Gregório I, devemos admitir.

Foi com esta atmosfera benéfica que, no natal do ano 800, Carlos Magno (742-814), rei dos francos, se tornou o primeiro Imperador do Sacro Império Romano.

A coroação de Carlos Magno pelo Papa Leão III (750-816) assinalou a retomada do Império Romano do Ocidente. Patrono das artes e das letras, o guerreiro Carlos Magno deu origem à Renascença Carolíngia, uma efusão cultural que redescobre autores clássicos, artes liberais, gramática, dialética, retórica, aritmética, música, geometria e astronomia. O Imperador convida para sua corte os melhores representantes da cultura eclesiásticas latina, permitindo que todas as artes se desenvolvam em um clima favorável e fortalecedor. (E você aí, defendendo que o Estado não tem que se meter na cultura….).

A reforma do sistema escolar promovida por Carlos Magno pode ser considerada uma das medidas mais amplas de cristianização já realizadas até hoje. Infelizmente, nem os esforços de Carlos Magno, nem Leão III, foram capazes de colocar ordem nas heresias disseminadas durante Gregório I.

Seriam necessárias mais algumas décadas para o retorno do comedimento à cristandade. E isso ocorreria pelas mãos de um monge beneditino nascido de uma família bem pobre na Toscana. Seu nome: Hildebrando.

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