A LUZ, A PENUMBRA E AS FORÇAS DO DESEQUILÍBRIO

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Pessoalmente, não gosto muito da dualidade Corpo e Mente proposta por Platão, mas isso não significa que ela seja inválida. De fato, Platão estava correto ao propor que existimos no binômio mundo do Corpo versus mundo da Mente.
 
O mundo do Corpo é físico, orgânico, sólido, e a ele batizamos de Realidade. E a Realidade segue uma geometria não-Euclidiana: como um fractal, ela existe em uma área finita, mas possui um perímetro infinito. Ela pode ser circunscrita em seus limites, mas o escrutínio de sua totalidade está além das capacidades humanas.
 
O mundo da Mente é metafísico, abstrato, especulativo. A ele, batizamos de Imaginação.
 
A Realidade existe per se. A Imaginação existe apenas em nós.
 
Como dois círculos posicionados lado a lado, Realidade e Imaginação jamais se encontrarão caso não ocorra um desequilíbrio na balança de forças que as mantêm apartadas:
 
De um lado, afastando o círculo de luz da Imaginação do círculo de penumbra que cobre a Realidade, temos o trio de forças negativas: a Ignorância, a Credulidade e a Preguiça. O contato da Imaginação com a Realidade pode ser impedido porque desconhecemos a existência do círculo da Realidade, ou porque acreditamos que o círculo da Imaginação é imovível, ou porque temos preguiça de empurrá-lo adiante – ou por uma soma simultânea destas três potências.
 
Do lado oposto, impelindo a Imaginação em direção à Realidade, temos o trio de forças positivas: a Inteligência, a Dúvida e o Método Científico. O contato da Imaginação com a Realidade pode ocorrer porque aumentamos o vigor de nosso raciocínio, ou porque questionamos a validade das concepções criadas pela mente, ou porque nos dedicamos a empurrar o círculo de luz sobre a penumbra com circunspecção, regularidade e técnica – ou por uma soma simultânea destas três potências.
 
À pequena área do fractal infinito da Realidade que é iluminada pelo círculo da Imaginação demos o nome de Conhecimento. O Conhecimento não corresponde ao todo da Realidade, e jamais corresponderá. Mas esta não é sua função. A função do Conhecimento é permitir que a Mente encontre a veracidade, ainda que seja apenas uma pequena porção dela.
 
E por que a Imaginação deveria mover-se para conhecer a “veracidade” da Realidade? Porque, como disse João (8:32), “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. É apenas na fatia de Conhecimento, naquela pequena porção da Realidade iluminada pela Imaginação, que somos genuinamente livres.
 
Muitos renunciam ou sufocam as forças positivas, cedendo à ação das forças negativas, por Medo desta Liberdade: o refúgio da Imaginação é confortável e tem recursos emocionais bastante eficientes para combater a dureza da Realidade e as responsabilidades que advém deste encontro.
 
Outorgar voluntariamente que as forças positivas sejam mais influentes que as negativas, abandonando o abrigo estático da Imaginação, requer doses imensas de Coragem. Não é uma tarefa para muitos. Ainda assim, é uma tarefa que certamente está ao alcance de todos.
 
Para que lado anda pendendo sua balança?
 

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