CONSTRUINDO UM RELACIONAMENTO PARA DURAR

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Tá precisando de conselhos para o seu relacionamento, mas não quer expor sua intimidade, nem mesmo para seus amigos? Jóia. Tenho certeza de que você encontrará umas 300 mil páginas sobre isso na Internet. A abundância de sites dando pitacos nessa esfera da sua vida mostra a importância que os relacionamentos têm – e não poderia ser diferente.

Já fui casado algumas vezes e, se não aprendi ainda como fazer esse negócio funcionar 100%, pelo menos posso lhe dizer O QUE NÃO fazer, evitando expectativas fantasiosas, atritos desnecessários e términos precoces.

Os 3 conselhos que lhe passo a seguir não são inteiramente fruto dessa experiência: eles fazem parte de um conhecimento comum, banal, são sabedoria popular, mas ainda assim a importância de cada um deles jamais poderá ser enfatizada o suficiente. TODOS eles guardam uma quantidade enorme de maturidade.

Apesar de aplicáveis tanto para o marido quanto para a esposa, fiz questão de apresentar estes conselhos como sendo de responsabilidade do Homem. Você, meu amigo de testículos, deve ser o líder de sua família e esforçar-se para fazer – e muito bem! – a sua parte, ainda que no final as coisas terminem não dando certo da maneira como você gostaria.

Então aqui estão 3 premissas para tornar seu relacionamento forte e duradouro:

  1. Nem você nem ela tem o direito de dizer qual é o “padrão da normalidade”.

Este é um dos problemas que surgem mais cedo em um casamento ou em qualquer outra forma de relacionamento com a mulher que você escolheu. Muitos homens insistem que a harmonia só será possível quando ELA começar a enxergar as coisas do seu jeito.

O tropeço aqui é você assumir que “o seu jeito” é o “único jeito” para dar certo. Você traça uma linha de como espera que a outra pessoa se comporte e reaja, e qualquer pé fora dessa linha é visto como um sacrilégio.

Observe seu corpo. Ele é diferente daquele da sua mulher, certo? Temos partes, gostos, massa muscular, órgãos e fiações peculiares. E o mesmo ocorre com os programas que rodamos dentro dessas máquinas. O modo como as emoções são processadas variam uma enormidade entre os sexos.

Homens e mulheres são iguais no senso estrito de suas identidades humanas e no seu valor como seres vivos. Todavia, não poderiam ser mais diferentes na maneira como abordam e processam o mundo à sua volta.

O “jeito certo” não é o jeito masculino, na mesma proporção que o “jeito certo” TAMBÉM não é o jeito feminino.

A melhor maneira de romper essa barreira da “padronização” é observar sua esposa como um ser humano – e não um animal de estimação -, tão cheia de expectativas e hábitos quanto você. As diferenças existem e é tão inútil negá-las quanto combatê-las.

Vamos dizer que você quer tirar as rodinhas da bicicleta do seu filho. “Já passou da hora dele aprender a pedalar sem isso!’, você determina, transpirando testosterona e desejando fomentar uma semente de masculinidade naquela criança de 5 anos. Sua esposa resiste. “Deixa ele curtir com as rodinhas, é muito novinho ainda… a gente tenta isso daqui um tempo”, ela argumenta com um olhar materno e complacente.

Como você reagiria? Se você pensa que insistir que “seu jeito é o jeito certo, acabou e pronto!” é a melhor opção, você estará prestando a si mesmo um desserviço.

É provável que a mãe esteja apenas abordando a decisão a partir de uma perspectiva classicamente feminina, preocupada com a segurança do filho, ou talvez até mimando-o um pouco. Por outro lado, o marido faz a abordagem máscula clássica, estimulando a independência de sua prole e encorajando um espírito de aventura no filho.

A solução para o dilema do “padrão de normalidade” está em uma ferramenta ridícula de tão simples: diálogo. Como dois adultos, vocês podem – e devem – conversar para encontrar um meio termo entre as suas diferenças.

  1. Se puder facilitar, não complique.

Sabe aquela velha briga sobre a toalha molhada que você deixou sobre a cama depois do banho? Esse é o tipo de discussão boba que pode evoluir para horas e dias de clima pesado e discussões fúteis.

O casamento não é nem de longe um brinquedo fácil. Se fosse, na caixa viria escrito “indicado para crianças de qualquer idade”. Ele não deve ser uma guerra perpétua, mas certamente não é uma paz duradoura.

Vocês podem ter ido morar juntos com a expectativa de que sua casa fosse ser um lar de conforto e serenidade. Entretanto, essa é uma ideia ingênua quando consideramos todas as variáveis envolvidas na comunicação interpessoal e nos desdobramentos de uma parceria desse tipo.

Nada na vida que vale à pena é obtido sem esforço. Aprender matemática é uma dureza. Tirar carta de motorista, também. Terminar sua faculdade, encontrar e manter-se em um bom emprego, ter sucesso na sua carreira, ser um bom pai para seus filhos… nada disso vem de graça. Todas estas atividades requerem uma dose considerável de empenho, concentração, energia e resiliência, além de apresentarem curvas de aprendizado diferentes.

Portanto, quando você perceber que uma determinada atitude pode levar a desentendimentos fúteis, opte pela cautela. Escolha suas batalhas. A discussão não é sobre toalhas: ela tem a ver com valores que sua mulher trouxe embutidos, sabe-se lá por quais razões. Se onde colocar as toalhas é algo tão importante assim para ela, não menospreze isso. Pelo contrário: tenha consciência de que o assunto tem algum significado (pelo menos para ela) e deve ser tratado de acordo.

Seja assertivo na mesma intensidade em que você oferece atenção e afeto. Caso contrário, seu comportamento autoritário será apenas uma manifestação da boa e velha insegurança infantil.

  1. Um relacionamento é como um vinho.

Você já ouviu isso antes. Eu já ouvi isso antes. E eu costumava responder que “sim, um casamento é como um vinho: deve ser mantido de cabeça para baixo em um porão escuro, trancado, sem janelas, entre paredes de pedra e com uma rolha tampando o gargalo”.

Mas essa não é a verdade. A revolta contra o relacionamento com uma mulher pode ser fruto de feridas mal cicatrizadas ou pura misoginia – ou ambos.

Ainda que o casamento possa desintegrar a paixão e o amor, este não é um fardo inefável dos relacionamentos duradouros. O amor pode aumentar com a passagem dos anos, assumindo contornos e dimensões que você nunca considerou serem possíveis. Mas você só encontrará esse Santo Graal se persistir: o lugar mais alto do pódio nunca foi ocupado por alguém que desistiu.

Isso não significa que você se tornará menos independente ou capaz. A beleza do vinho está justamente em reconhecer, com o passar dos anos, seu real valor – de dentro para fora.

A maturação das uvas requer cuidados específicos e o mesmo ocorre com seu casamento. Você tem dito à sua esposa o quanto ela é especial? Como você se comunica para que ela perceba seu amor e carinho? Expor-se de modo claro e sincero beneficiará a você mesmo, no final das contas.

Se o casamento não der certo e o vinho azedar, pelo menos você terá evoluído como Homem, com valores e confianças amadurecidas. E se o casamento der certo – e esta é minha torcida por você -, o futuro se descortinará como um piquenique servido por uma excelente safra de emoções e conquistas.

 

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