MANTENHA O EQUILÍBRIO

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Você é capaz de receber uma reprimenda sem explodir? Se desapontar sem mostrar-se visivelmente desencorajado? Consegue rir com os outros quando VOCÊ é a piada? Mantém a jovialidade quando as coisas dão errado? Se mantem calmo em uma emergência?

Um líder nato responderia confiantemente SIM para todas essas perguntas. É essa atitude centrada que torna uma pessoa senhora da situação, e o líder quase sempre é alguém que aprendeu a agir voluntariamente dessa forma.

Mas como ter e manter o equilíbrio nas adversidades? Em seu livro de 1944, The Technique of Building Personal Leadership, o psicólogo Donald A. Laird oferece 5 pistas valiosas:

  1. PENSE SOBRE OS OUTROS. A falta de equilíbrio costuma decorrer da negligência com hábitos simples, como pensar sobre os outros.

Por exemplo: quando você está em um restaurante, ocasionalmente ocorre uma discussão rápida sobre quem vai pagar a conta. Não discuta. Se a outra pessoa insiste em pagar a conta, deixe-a pagar. Demonstre seu apreço e ponha a discussão de lado. Se você insistir, é provável que surja um atrito enquanto seus egos batalham para saber QUEM irá fazer a gentileza.

O mesmo princípio pode ser aplicado quando você se oferece para carregar um peso para alguém. Se a pessoa recusar, aceite a recusa e converse sobre algum assunto do interesse de ambos.

  1. TOQUE UM TALISMÃ. Seu talismã pode ser um simples pedaço de papel escrito “Fique calmo. Não dê uma de espertinho. Sorria”. Coloque-o no bolso e toque-o quando se sentir pressionado. Isso lhe ajudará a lembrar onde fica seu ponto de equilíbrio, que você não deve se comportar como um bobo, e que tudo é passageiro.

Existe uma bela história sobre a importância dos talismãs: diz a lenda que Sam Houston era um jovem ativo e arteiro no condado de Rockbridge, na Virgínia, tendo causado mais problemas à sua mãe viúva que seus outros 8 irmãos somados.

Sam mal completara 20 anos de idade quando foi convocado para a guerra Anglo-Americana em 1812. Quando arrumava suas coisas para partir, Sam recebeu uma arma de sua mãe. “Meu filho”, disse a mulher, “Lembre-se: prefiro ver todos os meus filhos empilhados em uma cova que receber de volta um único que virou de costas e correu para salvar apenas sua vida”.

Em seguida, a mãe colocou um anel de ouro em seu dedo. No interior do anel, estava escrita uma única palavra, e este anel foi o talismã de Sam Houston por 50 anos. Aquela única palavra, em contato com sua pele, o guiou por uma vida de perigos e liderança árdua em situações onde outros haviam falhado.

De posse de seu talismã, Sam retornou para a pequena cidade de Maryville um ano depois, ferido, como um herói de guerra. E por causa do mesmo talismã, ele foi uma das pessoas mais respeitadas pelo presidente Andrew Jackson e ganhou a confiança das tribos indígenas do Sul e do Sudeste dos Estados Unidos em uma época de intensos conflitos. Seu talismã lhe deu forças para liderar um exército deficiente na vitória contra um inimigo duas vezes maior e melhor treinado, tendo uma grande participação na independência do Texas. Ele governaria o Texas por 3 ocasiões diferentes, desempenhando um papel central na sua anexação aos EUA. Em sua homenagem, a cidade de Houston recebeu este nome.

Foi apenas após a sua morte que as pessoas ficaram sabendo o que havia escrito em seu talismã. Quando sua esposa retirou o anel de seu dedo inerte, ela o ergueu contra a luz para que as crianças vissem que palavra era aquela que havia conduzido Samuel Houston com bravura por uma vida tão vigorosa e sólida.

Na parte interna da joia lia-se: “Honra”.

  1. PENSE DUAS VEZES ANTES DE FALAR. A pessoa equilibrada frequentemente já refletiu por um dia, ou por uma semana, antes de falar. Ela avaliou as possíveis emergências no percurso e antecipou o que fazer em cada uma delas. Quando a emergência ocorre, ela não se altera, pois sabe que está preparada.

Quando alguém se enraivece ou frustra, o equilíbrio se esvai e as línguas se tornam soltas. Sob pressão, as pessoas dizem coisas das quais irão se arrepender mais tarde, ou simplesmente tornam suas atitudes incoerentes.

A cura? Converse de modo resoluto. Quando estiver sob qualquer tipo de pressão, reflita antes que as palavras deixem sua boca. Guarde uma ou duas frases na sua mente antes de permitir que elas cheguem aos seus lábios. Use o cérebro, organize suas ideias, faça pausas silenciosas para estruturar seu raciocínio e então – e apenas então – compartilhe-o com os demais.

  1. RESPIRE LENTA E PROFUNDAMENTE. Quando as pessoas perdem o equilíbrio, elas respiram mais superficial e rapidamente. Assim que se sentir pressionado, preste atenção à sua respiração. Controle-a para que os movimentos sejam lentos e profundos. É quase impossível exacerbar-se quando você deliberadamente respira assim.

Quando seu tom de voz começar a aumentar, isso também significa que o equilíbrio está se desfazendo. Isso costuma ocorrer em no começo das discussões: a outra pessoa eleva o tom e você, como resposta, eleva o seu, estabelecendo uma competição para ver quem fala mais alto. Deixe que o OUTRO fale alto. Respire lenta e profundamente duas vezes e abaixe seu tom. Isso mostrará a blindagem e superioridade do seu ponto de vista. Você não precisa gritar para se defender ou vencer. Só precisa de bons argumentos.

  1. CONVERSE SOBRE SEUS PROBLEMAS. Preocupações, inquietações e pequenas ansiedades internas não resolvidas podem destruir seu equilíbrio. Talvez por isso pessoas casadas, de um modo geral, tendam a ser mais equilibradas que pessoas solteiras ou divorciadas: elas costumam falar de seus problemas com seus cônjuges – exceto quando esses problemas são causados ou envolvem eles mesmos. Mas, em boa parte dos casos, os casados são capazes de aliviar a carga de seus problemas não-domésticos conversando com suas parceiras e isso ajuda.

O diálogo é uma ferramenta útil e quase sempre à mão, e é uma das maiores razões pelas quais um casamento não deve basear-se apenas em atração física. É um excelente conselho psicológico casar-se apenas com alguém que eleve seu espírito quando você enfrenta períodos de desequilíbrio.

Tudo que é reprimido, é mantido. Guardar desapontamentos, sufocar preocupações e restringir o sofrimento cria um fluxo de lama que contamina sua paz. Quando essas ansiedades são confidenciadas a alguém que você ama, o fardo dos problemas é dividido e amenizado.

Algumas pessoas são capazes de conversar consigo mesmas sobre seus problemas, resolvendo assim seus conflitos internos. Entretanto, desenvolver esse tipo de autossuficiência requer um elevadíssimo nível de conhecimento e sabedoria. Não é impossível, mas exigirá um estado de serenidade que talvez você não possua nos momentos mais tensos. Saiba reconhecer seus limites e valorize seu equilíbrio acima de todas as coisas – porque todas as coisas, no final, dependerão dele.

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