O QUE JOHN WAYNE TEM PARA LHE ENSINAR, PARTE 4: A vida não é justa

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O Homem que Matou o Facínora (1962)

Existe uma fábula ingênua que misteriosamente se perpetua na coletividade há décadas: o mito de que nascemos e somos todos iguais em tudo.

Seria ideal se vivêssemos no paraíso desse puritanismo, neste admirável Éden novo onde cada um de nós tivesse sido feito absolutamente idêntico um ao outro.

Não, nós não vivemos nessa utopia. Vivemos em um lugar chamado Realidade. Somos diferentes, com famílias diferentes, culturas diferentes, e trazemos ao mundo talentos diferentes. É impossível garantir a esta massa heterogênea uma Meritocracia que tenha como pré-requisito um princípio ingênuo de igualdade absoluta entre todos os seres humanos do planeta. Ademais, se você toma Meritocracia como um sinônimo de Recompensa em Dinheiro, permita-me informar-lhe que a amplitude de sua visão é muito, mas muito!, pequena.

A maioria das pessoas que detona o conceito de Meritocracia forçando a barra com um discurso de “igualdade antes da liberdade”, na verdade deseja somente nivelar-nos todos pela altura da miséria. E isto apenas cria mais discrepância, destrói ambições e fomenta preconceitos. A vida não é justa. Cresça e aceite isso.

O conceito de Meritocracia como algo muito além da validação pelas massas e do progresso meramente econômico pode ser visto com clareza em O Homem que Matou o FacínoraNo filme de 1962, o senador Ransom Stoddard e sua esposa estão de volta à pequena cidade de Shinbone para um enterro. Na juventude, Stoddard fora um advogado que acreditava na lei e na ordem, mas que se recusava a carregar um revólver. Durante o funeral, Stoddard conta sua história em flashbacks para um jornalista:

Ele era amigo de Tom Doniphon (personagem de John Wayne), um pistoleiro que via nas armas a melhor forma de fazer justiça.

Doniphon e Stoddard mantiveram um relacionamento tenso, pois ambos se interessavam pela bela Hallie. Para desilusão de Doniphon, Hallie acabou preferindo Stoddard. Um belo dia, o fora-da-lei Liberty Valance chega à cidade causando desordem; e rouba e espanca Stoddard, obrigando-o a trabalhar para pagar pela comida e estadia.

Cansado dos desaforos do jagunço, Stoddard finalmente desafia Valance para um duelo. Completamente desajeitado com uma arma, Stoddard seria uma presa fácil para o bandoleiro… Mas é o advogado – e não o fora-da-lei – quem sai misteriosamente vitorioso e se torna então uma lenda, ascendendo na política a partir do ocorrido.

De volta ao funeral, Stoddard revela ao jornalista quem realmente matara Valance, e pergunta: “Vai publicar essa história, Mr. Scott?”. A resposta foi a famosa frase: “This is the West, sir. When the legend becomes fact, print the legend“. (“Este é o Oeste, senhor. Quando a lenda antecede os fatos, publique-se a lenda”).

No filme Homem que Matou o Facínora, Stoddard representava as convenções moralizadoras da civilização; Doniphon, o vigor inclemente da luta pela sobrevivência. Ambos procuravam fazer valer sua filosofia de vida do modo honrado como haviam aprendido. Eles não eram iguais. Nós não somos iguais. Não fomos todos brindados com as mesmas sortes, as mesmas potências e as mesmas fragilidades.

Apesar dessas diferenças, existe um equalizador na natureza, um mecanismo que nos torna equivalentes a despeito de leis, protecionismos ou discursos. Este equalizador se chama esforço.

É o esforço –  e não o discurso de autopiedade e as atitudes de vitimização -, que tornará você melhor em alguma coisa. E apenas o esforço será capaz de diminuir o abismo sócio-econômico-cultural que existe entre você e o resto do mundo – se é que alguma coisa algum dia será capaz de transpor completamente esse abismo.

Você deve aprender de uma vez por todas que sim, nós vivemos em uma meritocracia, mas nem todos sairão do mesmo patamar – existe apenas uma Hallie. Meritocracia não tem a ver com a partir de onde você gostaria de ter começado sua vida ou de quantos vinténs irá acumular até o dia de sua morte, mas com a pegada que você conduz sua inteligência. Meritocracia tem a ver com seu empenho, seu foco, sua capacidade de aprendizado a partir das oportunidades.

É importante ser um vencedor em sua área de atuação. Todavia, vencer não é simplesmente ter mais dinheiro que os outros: vencer significa ajudar pessoas, gerar empregos, ajudar sua comunidade, proteger sua família, colaborar realmente para um mundo melhor. Um vencedor não tenta: ele faz.

Construímos uma sociedade que louva a ignorância, protege a miséria e premia a fraqueza, ao mesmo tempo em que tributa violentamente a produção, despreza o conhecimento, demoniza a força e distribui prêmios por participação.

Os filmes de Wayne apresentavam um mundo onde nada vinha sem mérito, onde não havia a perpetuação de narrativas que alimentam indisciplinas e amaciam sua armadura.

Se você quer se tornar excelente em algo, deve alinhar seus interesses com seus talentos, deve permitir que seu trabalho e seu esforço se tornem sua melhor diversão – e deve lutar, erguer-se com dignidade e enfrentar cada um dos Valences em sua vida, sabendo que o objetivo nunca foi ter mais, mas ser mais.

 

O QUE JOHN WAYNE TEM PARA LHE ENSINAR, PARTE 5:

Coragem não é ausência de medo.

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