COMO FOI DEFINIDO O TERRITÓRIO BRASILEIRO ATUAL?

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O grande momento que assegurou a atual configuração do mapa brasileiro foi o Tratado de Madrid, assinado em 13 de Janeiro de 1750 entre João V de Portugal e Fernando VI da Espanha.

O Tratado de Madri foi defendido por Alexandre de Gusmão, um diplomata português, porém nascido no Brasil, e considerado o “avô” da diplomacia brasileira. As ideias de Gusmão influenciaram profundamente o Barão do Rio Branco, que passou a ser considerado o “pai da diplomacia brasileira”.

Quando a Independência foi proclamada em 7 de setembro de 1822, o território do Brasil já possuía praticamente a mesma configuração atual.

A fronteira entre Rio Grande do Sul e Uruguai foi resolvida com a Guerra da Cisplatina, ocorrida entre 1825 e 1828.

Em 1850, surgiu um plano de ocupação da Amazônia por latifundiários americanos. A diplomacia brasileira agiu com energia, fortificando a foz do rio Amazonas, estabelecendo um plano de colonização e impedindo a chegada de estrangeiros.

As fronteiras com o Paraguai foram estabelecidas com o final da Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870).

Após a Proclamação da República (1889), os governantes defrontaram-se com a questão dos limites territoriais que, embora definidos pela Constituição de 1891, não se encontravam delimitados.

Assim, entre 1890 e 1909, ocorreram disputas territoriais com Argentina (pelo oste de Santa Catarina e do Paraná), com a França (pelos limites do Amapá), com a Inglaterra (pela posse da Ilha de Trindade e pelas fronteiras de Roraima), com a Holanda (pelas fronteiras com o Suriname), e com relação às fronteiras com a Colômbia e o Peru. Todos estes foram resolvidos por arbitragens e tratados internacionais

A última área extensa a ser anexada ao território brasileiro foi o estado do Acre, que pertencia à Bolívia. E essa é uma outra parte curiosa de nossa história…

A QUESTÃO DO ACRE

A região do do Acre pertencia à Bolívia.

Na virada do século XX, posseiros brasileiros invadiram a região e, após vários conflitos com os bolivianos, uma reação liderada pelo brasileiro José Plácido de Castro derrotou as forças da Bolívia em 1902.

Tropas foram movidas para Corumbá e um conflito armado internacional estava se desenhando. Coube a José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco, iniciar as conversações com a Bolívia.

No final, a questão foi resolvida com a compra do Acre por um valor de 2 milhões de libras esterlinas na época – o equivalente a 14,7 toneladas de ouro. Em 1904, a região passou oficialmente a fazer parte do país.

A Questão do Acre é interessante para se ter uma ideia da riqueza do Brasil no período: em 1867, os EUA compraram o Alasca da Rússia por 7,2 milhões de dólares na época (ou o equivalente a 10 toneladas de ouro), mas as disputas de fronteira na região só seriam resolvidas em 1903.

O Alasca tem 1,7 milhão km². Em valores atuais corrigidos, foi comprado por 6,4 mil reais o km².

O Acre tem 153 mil hm² e foi comprado por 11 mil reais o km² – ou seja: o valor investido na compra do Acre daria para comprar quase 2 Alascas.

Mesmo tendo negociado um preço bem elevado para resolver a Questão do Acre, o Barão do Rio Branco é um sujeito que merece um pódio na história da geografia brasileira.

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