O HEDONISMO ELEITORAL ENFRENTA A ORDEM E O PROGRESSO DE DIREITA*

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Na coletânea Five Sermons (1726), o bispo anglicano e filósofo inglês Joseph Butler argumentou que o Hedonismo é uma falácia. Segundo Butler, não fazemos coisa alguma a não ser que sejamos instigados pelo Desejo.

Uma vez que a satisfação do desejo é prazer, os hedonistas consideraram que a finalidade de toda ação seria o prazer, mas isso é uma incongruência: o prazer de beber vinho é antecipado pelo Desejo de beber vinho, seguido da satisfação deste desejo específico. Fosse só o prazer que buscássemos, então o vinho poderia ser substituído por qualquer outra coisa – um livro, uma soneca ou um prato de peixe – cuja posse provocasse prazer. Para levar o hedonismo a sério, deveríamos descartar a importância da natureza específica dos objetos de nossos apetites e paixões. É óbvio que não é assim que a Consciência e as conquistas humanas funcionam.

Um ser racional pode refletir sobre uma situação difícil e ver que a satisfação deste ou daquele desejo efêmero pode entrar em conflito com seus interesses de longo prazo, trazendo aborrecimento, inquietação, debilidade ou pesar.

Segundo Butler, uma das características que nos tornam Humanos consiste na capacidade de sair da esfera do impulso presente e refletir sobre o futuro, vendo que tipo de disposição seria mais satisfatório adquirir, e então agir de acordo, estimulando alguns apetites e desestimulando outros. Os objetos destes desejos de “segunda ordem” não são determinados por impulsos superficiais, mas por uma reflexão lúcida do máximo bem-estar por vir; não são coisas particulares ou momentâneas, mas disposições gerais de Caráter que nos colocam na direção de uma vida virtuosa.

Se cada pessoa é, por sua própria natureza, uma lei para si mesma, e se a Razão pode dominar os desejos e conduzir-nos para uma vida mais Virtuosa (como proposto por Aristóteles e Hume), é de se pensar onde está o Caráter de um povo incapaz de enxergar o Mal naqueles que tentam a todo custo legitimar a corrupção, o mau-caratismo, a negociata e a mentira, ao mesmo tempo em que relativizam o valor da família, da justiça, da honestidade, do esforço, do trabalho e da educação Moral e Cívica.

Nesta eleição Presidencial, pela primeira vez em nossa história temos um candidato de Direita com chances de avançar para o segundo turno e, quiçá, vencer o pleito ainda no primeiro, contrapondo-se à maléfica doutrinação ideológica esquerdista que produziu fome, miséria e tragédias e limitou a Prosperidade e a Liberdade Individual por onde quer que tenha passado.

Alguns outros candidatos representam, em menor medida, o mesmo anseio de superar o caminho socialista que nos dominou nos últimos 16 anos, recuperando o orgulho de uma nação que deseja Ordem e Progresso meritocrático, mas eles não apresentam a mesma chance de sucesso nas urnas.

Qualquer pessoa adulta e racional deveria ser capaz de enxergar isso, e compreender que a satisfação imediata de votar em um candidato sem chances de ganhar – ou deixar de votar em um candidato anti-comunista com chances reais de vitória – é puro hedonismo egocentrado. E o preço desta fantasia teimosa poderá se mostrar terrivelmente caro.
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*Adaptado de: Roger Scruton, “Uma Breve História da Filosofia Moderna” (1981). Editora José Olympio (2008).

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