A desEDUCAÇÃO BRASILEIRA

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Segundo dados do Anuário Brasileiro da Educação Básica de 2019, o Brasil tem no ensino fundamental 27,1 milhões de alunos e 1,4 milhões professores – ou 1 professor para cada 19 alunos.

Para efeito de comparação, anote-se que a proporção de professores no ensino fundamental por aluno é:
– No Mundo = 1:23
– Na América Latina = 1:21
– Na Europa = 1:18
– Na Ásia Oriental = 1:17
– Na OCDE = 1:15
– Na América do Norte = 1:14

Mas ensino não adianta muito sem orçamento, certo? É preciso dinheiro para pagar os professores e ensinar as crianças. Afinal, entre 2000 e 2019, a população brasileira cresceu 18% (de 173 para 209 milhões de pessoas).

Porém, no mesmo período (2000 a 2019), o investimento público brasileiro em educação em relação ao PIB aumentou também 18% (de 4,7% em 2000 para 5,7% em 2019).

Quando fazemos as contas em termos absolutos, vemos que orçamento destinado ao Ministério da Educação recebeu um incremento de “aparentes” 600%, saindo de 18 bilhões em 2000 para 122,9 bilhões de reais em 2020.

Contudo, em 2000, 1 dólar valia 1,79 reais. Os 18 bilhões de reais em 2000, portanto, equivaliam a 10 bilhões de dólares.

Em 2020, 1 dólar vale 5,21 reais. Os 122,9 bilhões de reais de 2020, portanto, equivalem a 23,5 bilhões de dólares.

Ou seja, o incremento real do dinheiro investido pelo Ministério da Educação não foi de 600%, mas de 235%. Um aumento significativo, mesmo quando corrigimos os valores. E qual foi o retorno dessas dezenas e dezenas de bilhões de reais para a nação?

Em 2000, no exame PISA, tiramos 337 pontos em matemática, 375 em Ciência e 396 em Leitura. Em 2018, tiramos 384 pontos em matemática, 404 em Ciência e 413 em Leitura.

O teste PISA de 2018 significa que 50% dos estudantes brasileiros sabem menos que o básico em leitura e ciências, e 60% sabem menos que o básico em matemática. Na média, os estudantes do Brasil tiveram pontuações similares às de países como Brunei, Catar e Albânia.

Em termos internos, após aumentarmos 235% o orçamento do Ministério da Saúde em 20 anos, para colher uma melhora de apenas 13% em matemática, 7% em ciência e 4% em leitura.

Em termos externos, após aumentarmos 235% o orçamento do Ministério da Saúde em relação a 2000, caímos da 37ª posição no mundo termos de educação (em 2000) para a 57ª posição em 2020.

Ou seja: em 20 anos, a população aumentou 18% e os gastos totais com educação aumentaram 235% (13 vezes mais que a taxa de crescimento populacional), e conseguimos melhorar em quase nada em algumas coisas e piorar bastante em tudo.

O que mais poderíamos esperar após 20 anos de transformação do sistema educacional em uma fábrica de doutrinação socialista em série?

Se substituíssemos as escolas públicas por lanchonetes públicas talvez não tivéssemos um efeito tão devastador sobre o nível de escolarização dos brasileiros.

AS DÉCADAS DE DESENSINO

Considere o seguinte: um Analfabeto Funcional é conceituado como um indivíduo que, embora saiba reconhecer letras e números, é incapaz de compreender textos simples, bem como realizar operações matemáticas mais elaboradas.

Segundo o indicador Inaf de 2019, 29% dos brasileiros com mais de 15 anos podem ser considerados analfabetos funcionais – o que equivale a mais de 46 milhões de pessoas. Em outros termos: o Brasil tem uma quantidade de analfabetos funcionais equivalente à soma dos habitantes da Austrália, Suécia, Finlândia e Dinamarca.

Em termos de analfabetismo pleno, temos 13 milhões de pessoas (8% da população acima dos 15 anos idade, chegando a 15% no Nordeste). Em números totais, carregamos nas costas uma Tunísia inteira de pessoas que não sabem reconhecer letras e nem mesmo desenhar o próprio nome.

Apenas 12% da população brasileira acima dos 15 anos de idade pode ser considerada Proficiente na utilização do próprio idioma. Ou, em outras palavras: apenas cerca de 19 milhões de brasileiros (mais ou menos a soma da população dos estados do Paraná e de Santa Catarina) consegue compreender e transmitir informações em nossa língua.

Segundo o Fórum Econômico Mundial, entre 122 países, estamos na 88ª colocação em termos de qualidade do ensino escolar.

Segundo o teste PISA de 2018, entre 79 países, ocupamos a vergonhosa 57ª posição.

Que os alunos não sejam educados, tudo bem: quem tem a obrigação de educar é a família. Mas que eles sejam TÃO MAL ESCOLARIZADOS, aí a culpa é de quem? Da família também?

Comprando aqui uma poltrona reclinável com encosto para os pés enquanto aguardo algum professor com coragem e honestidade suficiente para assumir o desserviço que essa classe prestou ao país nas últimas décadas.

Entrar em greve, reclamar pelos cotovelos, fazer doutrinação socialista na sala de aula, transferir responsabilidades, fugir de suas incumbências e desfilar seu autovitimismo em passeatas pedindo aumento eu sei que eles conseguem.

Ensinar? Bom, acho que aí já é pedir demais…

Talvez devêssemos derrubar o prédio do MEC, fechar as escolas, mandar todos esses professores socialistas inúteis embora (que façam suas greves perpétuas em casa e por conta do próprio bolso), e deixar que as crianças aprendam por si mesmas. É provável que as coisas melhorem.

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