A NOVA DEMOCRACIA DO SÉCULO XXI

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Na Nova Democracia do Século XXI, o antigo princípio de que todo poder emana do povo passou ser entendido como “qualquer um pode emanar todo poder que bem quiser” – inclusive a imposição e o abuso.

O antigo princípio de que ninguém deveria ser obrigado a fazer algo que fere sua moralidade passou a ser entendido como “qualquer um pode deixar de cumprir qualquer obrigação que desgoste” – inclusive as justas e éticas.

O antigo princípio de que as liberdades de pensamento e de expressão deveriam ser preservadas acima de tudo passou a ser entendido como “qualquer um pode pensar e falar o que quiser, desde que pense e fale como eu quero que pense e fale”.

Na Nova Democracia, a lisura do judiciário se tornou uma razoabilidade extinta; a centralização do Estado se tornou um Estado centralizador; e os dogmas religiosos de temperança se tornaram obstáculos para o comedimento.

Localizada em algum reino subjetivo muito além do alcance das críticas de qualquer pessoa, a Nova Democracia está disposta a atropelar a representatividade, a suprimir o heterogêneo e a anular todas as forças concorrentes para finalmente governar como seu próprio mestre em sua própria cidadela iluminista.

Nascida como a fiel depositária de nossas esperanças antiautoritárias, a Nova Democracia se tornou o ídolo viçoso para o qual devemos apresentar, um após o outro, em uma longa fila de pessoas cabisbaixas, nossos sacrifícios: as cabeças de nossas soberanias postadas em belíssimas bandejas de servilismo.

Do alto de seu trono revolucionário e cercada de conselheiros incensuráveis, ela avisa:

“Nada tema, povo! Vencemos juntos o inimigo do Absolutismo, venceremos também a autonomia do indivíduo!”.

A Nova Democracia está disposta a sacrificar tudo para manter-se a si mesma.

Vida longa à Nova Democracia.

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